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Gate, Gate: poderoso instrumento de serenidade
Por Monica Longo de Oliveira   
18 de July de 2005

"Como o nosso querido Lama Padma Samten sempre menciona em seus ensinamentos, o budismo deve ser experimentado, colocado em prática. O que contarei é uma história real de como a prática pode nos auxiliar na vida cotidiana.

Sou fisioterapeuta e tenho um consultório em São Paulo. Trabalho na área de ortopedia, reumatologia e postura, e em geral atendo muitos pacientes cuja queixa principal são dores principalmente na coluna vertebral.

Há alguns dias, chegou uma paciente muito nervosa, pois estava com dores na coluna, e , dizendo que ela estava com muita dor, e sendo bastante agressiva verbalmente. Eu não podia responder, mas ao mesmo tempo começei a me sentir muito mal com a situação, não queria entrar na mesma sintonia de agressividade dela, mas não sabia o que fazer. Então começei a entoar o gate, gate (sutra do coração) e saí daquela paisagem; aos poucos, notei que a paciente foi mudando a fisionomia, foi se acalmando e ela foi abaixando o tom da voz. Naquela tarde, fiz a fisioterapia nela e esta saiu mais calma, serena e com menos dor. Ao sair do consultório, ela passou pelo rapaz que estava aguardando na sala de espera e que, depois que ela saiu, ele me disse espantado:

- Está moça faz tratamento com você? Ela é uma pessoa muito problemática, amarga, ela trabalha no mesmo prédio que eu trabalho, ninguém lá gosta dela, e só não a reconheci, porque ela saiu sorrindo....

Após passado o episódio, e levado este fato a sangha, pude entender que quem se acalmou foi eu, e por isso a paciente também acabou se tranquilizando. Eu tinha uma escolha de me contaminar com a paisagem do outro ou não; e, ao entender que aquela paisagem era do outro, não minha, pude compreendê-lo melhor. Poderia ter ficado com raiva e defender a minha identidade (javali,cobra), e sentir como que estivesse engolido um sapo, mas ao recitar o mantra gate, gate, paragate, parasamgate, bodhi svaha, até o sapo se dissolveu, pois não havia o que defender, já que eu sabia que naquela situação eu estava tentando ajudar e fazendo o melhor que eu podia e eu não precisava provar isso pra ninguém.

O budismo têm me ensinado a tentar manter a serenidade em meio as adversidades. Sempre pedimos para nos livrar do sofrimento, quando na verdade deveríamos pedir para que, através do sofrimento, possamos enxergar as lições que ele nos trás; e por aí até o sofrimento se torna mais leve.

Se, ao invés de perguntarmos o porquê, mas, como diz Sua Santidade o Dalai Lama para quê nós sofremos, notaremos que sempre vem um aprendizado depois, pois é fato que sempre saímos das crises melhores e mais fortalecidos. E também é muito reconfortante saber que tudo passa, e que nada atinge a nossa natureza última.

É isso que tenho aprendido com o budismo, a tentar buscar uma felicidade estável não uma felicidade transitória que dependa das circunstâncias externas para sermos felizes, pois se for assim certamente nos decepcionaremos, já que a vida é impermanente. Estes ensinamentos têm sido um verdadeiro presente para minha vida e por isso estou procurando repartir com todos.

Experimentem!"

 
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